Guia para Sobreviver a Conversas Estranhas em Família sobre Sexismo

18378271836_b7001cf4f7_k.jpg

Guia para Sobreviver a Conversas Estranhas em Família sobre Sexismo

Com o fim de ano chegando, ficamos ansiosos com muitas coisas! Desde as festas de Ano-Novo, esta época do ano é cheia de expectativa. Você sobreviveu à Ação de Graças, mas as discussões familiares esquisitas podem não ter acabado ainda. Mas não se preocupe, a gente vai te ajudar. Eis aqui nosso guia de como responder a equívocos comuns sobre gênero e e sua defesa que podem aparecer neste período.

Seu pai diz: “Não precisamos mais do Title IX*. As mulheres já fazem esportes. Mas ninguém assiste a esportes femininos mesmo!”

(*Nota: Title IX é uma lei americana que garante que ninguém seja excluído ou discriminado ao participar de atividades  ou programas educacionais com verba federal.)

Primeiramente, vamos lembrar o nosso velho de que a final feminina da Copa do Mundo de Futebol foi o jogo com mais audiência da história dos EUA! O Title IX, que ajudou a desenvolver a seleção americana, tem um papel crucial ao garantir igualdade nos esportes nas universidades. Mas vai muito além disso. Essa lei evita a discriminação em todas as áreas da educação, inclusive na aprovação, recrutamento, acesso à ciência, tecnologia, engenharia e matemática, abuso e agressão sexual dentro do campus, tenure e mais.

Seu primo diz: “Não existe diferença salarial de gênero. As mulheres ganham menos porque aceitam empregos que pagam menos e tiram licenças. Dã!”

A gente bem queria que não existisse diferença salarial! Mas essa diferença é um fato, não um mito. Ao todo, mulheres que trabalharam em tempo integral durante o ano nos EUA em 2014 receberam apenas 79% do que os homens receberam. E não é só isso: mães e mulheres que não são brancas ganharam ainda menos. De acordo com uma pesquisa da AAUW (American Association of University Women), a diferença salarial acontece em quase todos os cargos, inclusive os que pagam menos e os que pagam mais. E isso não pode ser explicado apenas pelas escolhas das mulheres. Relatórios de 2012 mostraram que as mulheres enfrentam diferença mesmo depois de serem considerados formação acadêmica, cargo, setor econômico, horas trabalhadas, meses de desemprego depois da formatura, média das notas na universidade, tipo de instituição de nível superior,  modo de ingresso no ensino superior, idade, região geográfica e estado civil. Ufa!

Seu avô diz: “Os campos científicos são dominados por homens porque as mulheres não querem trabalhar com exatas.”

Na verdade, estudos comprovam que questões de gênero – inclusive o estereótipo de que mulheres “não gostam de ciências”- são um motivo crucial pelo qual há poucas mulheres no campo das exatas. Isso é especialmente verdade no ramo da engenharia e da computação, os dois campos das ciências exatas com mais oportunidades de trabalho e salários mais altos. Além disso, depois que as mulheres entram nesse meio, elas enfrentam ambientes de trabalho hostis que as fazem desistir. Mulheres que não são brancas no campo das exatas são ainda menos representadas e ainda enfrentam questões raciais, além das de gênero.

Sua irmã diz: “Eu não votaria numa mulher para presidente. Mulheres são muito sensíveis!”

Seja comentando sobre o visual ou a simpatia de lideranças femininas ou questionando suas habilidades, é comum haver sexismo em discussões sobre candidatas políticas. Linguagem é importante. Chamar mulheres decididas de “mandonas” ou mulheres confiantes de “escrotas” reforça estereótipos  negativos e preconceitos sobre mulheres na liderança. As mulheres são qualificadas para exercer cargos políticos. E, quando elas exercem, concorrem com os mesmos números que os homens. É crucial desafiar preconceitos de gênero e incentivar mulheres jovens a concorrer a cargos políticos!

Sua tia diz: “Sua geração é muito preguiçosa. Vocês só ficam mexendo nos celulares.”

Desculpa, tia, mas as pesquisas sugerem o contrário! De acordo com um estudo, jovens de todos os EUA estão fazendo trabalho voluntário mais do que nunca. Estudantes ativistas, inclusive líderes estudantis da American Association of University Women, constantemente agem para questionar o status quo e liderar a luta por justiça social. Desde servir como representantes da juventude na ONU a lutar (com sucesso) para estabelecer centros que cuidam de casos de abuso sexual nas universidades, os jovens americanos estão fazendo a diferença.

Se a sabedoria feminista não te ajudar, a gente te ajuda quando você se encher.

Às vezes as pessoas não se convencem com os fatos. Nesses momentos, recomendamos uma dose forte de Adele.

Este texto foi escrito por Regina Monge, da American Association of University Women. Texto publicado em http://www.aauw.org/2015/12/17/awkward-conversation-guide/. Tradução de Carol Silveira.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s